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Boa parte das maiores empresas catarinenses nasceu de famílias que fundaram indústrias no Vale do Itajaí, no Norte e no Oeste do estado ao longo do século XX. Muitas delas estão hoje na segunda ou terceira geração, convivem com cooperativas e fornecedores integrados, exportam por portos do próprio estado e disputam talentos com um polo de tecnologia em crescimento. As questões empresariais de Santa Catarina refletem essa combinação de tradição industrial e novos negócios.
Sucessão e governança em indústrias familiares
A transição de geração é o tema mais sensível para grupos catarinenses. Sem regras escritas, a entrada de herdeiros, a divisão de dividendos e a escolha de quem administra viram conflito. As ferramentas mais usadas são:
- acordo de sócios ou acionistas, com regras de voto, preferência, saída e solução de impasses;
- holding familiar, para concentrar o controle e organizar a sucessão das participações;
- conselho de administração ou consultivo, com membros independentes;
- protocolo familiar, que define critérios para trabalho de familiares na empresa;
- planejamento do ITCMD, considerando a legislação catarinense e as mudanças trazidas pela reforma tributária.
Empresas que pretendem receber investidores ou abrir capital precisam antecipar essa organização, porque a diligência examina a estrutura de controle e os acordos existentes.
Estrutura jurídica para empresas catarinenses
A Souza & Zucchi Advogados atua, a partir de Florianópolis, em contratos, sociedades, governança e reorganizações de empresas de todo o estado.
Contratos de integração no Oeste
A produção de aves e suínos no Oeste catarinense é organizada em sistemas de integração entre agroindústrias e produtores rurais. A Lei 13.288/2016 regula esses contratos e exige, entre outros pontos, descrição das obrigações de cada parte, critérios de remuneração do produtor, padrões técnicos, responsabilidade ambiental e sanitária e a criação de comissões de acompanhamento. Os conflitos mais comuns envolvem cálculo da remuneração, investimentos exigidos do produtor e encerramento do contrato. Cooperativas agroindustriais, por sua vez, seguem a Lei 5.764/1971, com regras próprias de admissão, assembleias e distribuição de sobras.
Logística e portos
Importadoras, operadores logísticos, armazéns e transportadoras que atuam nos portos do estado assinam contratos de armazenagem, transporte multimodal, agenciamento e prestação de serviços portuários. Os pontos de atenção são responsabilidade por avarias e perdas, prazos de livre armazenagem e cobrança de sobre-estadia de contêineres, seguros e limitação de responsabilidade. Contratos de importação por conta e ordem e por encomenda exigem cláusulas compatíveis com o regime aduaneiro e com os regimes estaduais de ICMS.
Tecnologia e startups
O polo de tecnologia de Florianópolis reúne empresas de software, startups e investidores. A LC 182/2021 organizou o investimento-anjo, o mútuo conversível e outros instrumentos de investimento. Acordos de sócios com vesting, contratos de cessão de propriedade intelectual com fundadores e prestadores e contratos de licença de software com clientes são a base jurídica dessas empresas.
Turismo, imóveis e incorporação
O litoral catarinense, especialmente Balneário Camboriú, Itapema e a capital, concentra incorporações de alto padrão e investimento de compradores de outros estados. Registro do memorial de incorporação, patrimônio de afetação, regras de distrato e restrições urbanísticas e ambientais à beira-mar são temas recorrentes.
Indústria e fornecimento de longo prazo
Indústrias metalmecânicas, têxteis e de eletroeletrônicos de Santa Catarina vendem para montadoras, redes varejistas e clientes no exterior por contratos de fornecimento de longo prazo. Esses contratos devem tratar de reajuste vinculado a insumos e câmbio, volumes mínimos, ferramentais e moldes de propriedade do cliente, exclusividade, garantia de qualidade e encerramento com aviso compatível com os investimentos feitos. A facção e a industrialização por encomenda, muito comuns no Vale do Itajaí, exigem contratos que deixem claro quem responde por qualidade, prazos e encargos trabalhistas dos terceirizados.
Proteção de marcas e expansão
Marcas catarinenses de vestuário, alimentos e tecnologia que se expandem para outros estados e para o exterior precisam registrar a marca no INPI e, quando for o caso, nos países de destino. Franquias seguem a Lei 13.966/2019, com entrega da circular de oferta ao menos dez dias antes da assinatura.
Solução de conflitos e recuperação
Empresas catarinenses usam cada vez mais a arbitragem em contratos de fornecimento e societários, com câmaras instaladas no estado, nos termos da Lei 9.307/1996. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina instalou varas regionais especializadas em recuperação judicial e falência, o que tornou os processos de reestruturação mais técnicos. Antes da recuperação judicial, prevista na Lei 11.101/2005, a negociação estruturada com bancos e fornecedores e a recuperação extrajudicial costumam ser os primeiros passos.
Perguntas frequentes
O contrato de integração pode ser encerrado a qualquer momento?
Depende do contrato e da Lei 13.288/2016, que exige regras claras de encerramento e de compensação de investimentos feitos pelo produtor.
Holding familiar resolve a sucessão?
Organiza a transferência das participações, mas precisa vir acompanhada de acordo de sócios e regras de governança para evitar conflitos.
Vale incluir arbitragem em contratos com fornecedores?
Em contratos de valor relevante e técnicos, costuma valer. Em contratos menores, o custo inicial pode não compensar.
Para as particularidades municipais, veja as páginas de Florianópolis, Joinville, Blumenau e São José.
Sucessão, contratos e reestruturação
A Souza & Zucchi Advogados atua na sucessão de grupos familiares, em contratos de longo prazo e em negociações com credores.
Fontes oficiais
- Planalto — Código CivilPlanalto — Código Civil
- Planalto — Lei 13.288/2016 (contratos de integração vertical)Planalto — Lei 13.288/2016 (contratos de integração vertical)
- Planalto — Lei 5.764/1971 (cooperativas)Planalto — Lei 5.764/1971 (cooperativas)
- Planalto — Lei 11.101/2005 (recuperação e falência)Planalto — Lei 11.101/2005 (recuperação e falência)
- JUCESC — Junta Comercial de Santa CatarinaJUCESC — Junta Comercial de Santa Catarina
- TJSC — Tribunal de Justiça de Santa CatarinaTJSC — Tribunal de Justiça de Santa Catarina
- Planalto — Lei 9.307/1996 (arbitragem)Planalto — Lei 9.307/1996 (arbitragem)
- Planalto — LC 182/2021 (marco legal das startups)Planalto — LC 182/2021 (marco legal das startups)
